Várias religiões, uma missão: celebração do casamento na Umbanda

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No dia 21 de janeiro, Dia contra a intolerância religiosa, a Fraternidade Universalista da Divina Luz Crística realizou um casamento na umbanda com convidados de diversas religiões. A prova viva de que a união e o amor vencem preconceitos.

 

Era um domingo de sol. O dia nascia lindo anunciando um evento festivo de união e amor. Um casamento. Um evento que não culminou apenas na união de duas pessoas (ou três, neste caso, já que a noiva pediu permissão à filha do noivo também ♥), era a união de várias crenças, de várias culturas diferentes, mas essa diferença não causava a segregação. Pelo contrário. Era a união de várias pessoas em prol do amor independente de suas crenças. Um respeitando o outro. Era celebrado um casamento na umbanda.

A umbanda é uma religião brasileira de matriz africana. Historicamente, religiões de matrizes africanas sofrem preconceito por causa da origem no povo negro escravizado. Por muito tempo foi demonizada e hoje, em 2018, ainda há violência e intolerância contra essas religiões. Há desconhecimento sobre sua essência e o resquícios da demonização ainda existe causando segregação.

A realização de um casamento na umbanda com tanta diversidade presente foi uma oportunidade de propagar informação sobre essa religião que sofre tanta perseguição. Segundo Carla Costa, dirigente da Fraternidade Universalista da Divina Luz Crística (FUDLC), essa celebração foi importante para “mostrar o que é a umbanda,  os cultos afros, que são religiões do bem e que a distância que se pensa que tem do protestantismo, do catolicismo, não é uma distância tão grande, são formas de práticas diferentes, mas em essência, buscam a mesma coisa”.

Ao iniciar a celebração, os ogãs¹ chamaram para Iemanjá, Orixá que rege os lares, as casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. No sincretismo religioso, ela pode ser representada como a Virgem Maria. Neste momento, entra a dirigente espiritual, que celebrará o casamento, e 6 pessoas que energizam os corredores por onde entrarão os padrinhos e noivos com seus pais. A dirigente e as 6 pessoas passam um tempo emanando boas energias por todo o ambiente. Em seguida, entram os padrinhos. Um casal de cada lado como ocorre em outras religiões cristãs.

Na entrada do noivo, são jogadas ervas e cantada uma música de Oxossi, orixá de frente² do noivo. Oxossi é o Orixá do conhecimento, da fartura, no sincretismo é representado por São Sebastião.

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A hora mais esperada do casamento de todas as religiões é a entrada da noiva. Que não foi de branco, mas de azul, a cor de sua Orixá de frente, Iemanjá, andando sob pétalas de rosas brancas, ao som do lindo cântico da Ave Maria.

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A dirigente da casa, Carla Costa, abriu a celebração falando sobre a umbanda, sobre ser uma religião cristã, diferente do que muitos pensam. “A umbanda é uma religião cristã então tem essa tradição de se abençoar os noivos”, disse Carla. A dirigente aproveitou o momento para falar que essa religião veio para somar à luz e que não há negatividade nela. Ela busca o mesmo que o catolicismo, o protestantismo que é a religação com o Divino. “A religião praticada em sua essência só tem coisa boa”, acrescentou.

Dentre os padrinhos, um casal de estudantes da Bíblia simpatizantes da religião Testemunhas de Jeová, Lívia Araújo (29) e Daniel Gomes (29). Para eles estar num casamento umbandista  é apenas atender a um pedido de amigos. “Estamos pelos amigos que nos convidaram”, disse Daniel. Com um profundo sentimento de respeito, eles aceitaram o pedido para serem padrinhos independente da religião praticada pelos amigos. “Se você se permite acreditar em alguma coisa, tem que entender que o outro também tem direito de acreditar na religião dele”, enfatizou Daniel.

Ao final da cerimônia, os médiuns da casa cantaram o hino da umbanda e a canção de Oxalá, Orixá que representa Jesus Cristo.

Numa celebração linda, não teve quem não se emocionasse. O que fez este casamento ser diferente não foi apenas o fato de ser um casamento religioso na umbanda, mas a presença de pessoas de diversas religiões num momento de integração, onde nitidamente o respeito mútuo imperou. Seja num domingo de sol ou numa terça-feira de chuva, sonhamos com o dia em que esse fato será comum e todos se respeitarão independente da fé que professam.

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1. São aqueles que cantam, os responsáveis pela orientação das curimbas (cânticos) e os que tocam atabaques.
2. Orixá de frente é a vibração regente da pessoa.

2 comentários em “Várias religiões, uma missão: celebração do casamento na Umbanda

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