Para mães negras ativistas, desenvolver a negritude nas crianças é questão de sobrevivência

Racismo-na-infancia

“Infelizmente nem todas as famílias são ‘escurecidas’ o suficiente para dar um acalanto e pronto-atendimento aos filhos”. A explicação é de Priscila Gama, mãe, empreendedora social de Vitória (ES) e responsável pelo projeto Quilombinho, um evento de férias afro-centrado.

Ela ressalta o poder de eventos afro-infantis para fortalecer e aumentar a autoestima das pretinhas e dos pretinhos. “Espaços de troca como o Quilombinho fortalecem essa questão de orgulho negro e escurece didaticamente questões ligadas ao racismo, porque a gente não trata do racismo diretamente com crianças porque dói, mas explicamos de uma outra forma. Quando as crianças trocam experiências nesses espaços, elas se fortalecem, é inevitável”.

Aprender a se defender contra o racismo, também é um dos aspectos positivos da valorização do ser negro, desde pequeno. “As experiências que a gente tem aqui em Vitória é de grupo de crianças que se enxerga forte em suas individualidades e peculiaridades, sobretudo, em relação a sua pretitude. Nós vemos casos de crianças que sofrem racismo por parte de outras crianças e que se defendem sozinhas, falando que é racismo sim, ou por exemplo, apontado que um branco não quer brincar porque ela é criança negra e quem perde a criança branca. As crianças criam seu próprio argumento de orgulho preto, para se defender e por isso essa troca entre crianças negras é importante, como uma micro-comunidade potente, de várias explosões de orgulho nos nossos pequenos”, celebra Priscila.

Carla Cavallieri, mãe da Ágatha, Aisha e da Akillah e Historiadora formada pela UFRRJ relata que sua militância enquanto mãe preta, chegou a ser ironizada. “Quando criei o Nana Maternidade Negra e até hoje, muitas mães brancas questionam e ironizam sobre a demanda. Mas é exatamente por este motivo (casos como o da Ayo) que o Nana existe. Temos que ter plena consciência de que a criança é a réplica do adulto, cujo qual ela convive e que isto é simplesmente resultado de um país branco, racista e que pôs na cabeça que a democracia racial existe e que o ocorrido é brincadeira de criança. Não é. É atitude de adulto, que a criança vai reproduzir”.

“É isto que os nossos filhos estão sujeitos todos os dias enquanto famílias brancas e racistas não assumirem os privilégios que os cercam e as instituições de ensino não abrirem este debate desde as séries iniciais . Não é somente 13 de maio ou 20 de novembro. É um necessário um currículo antirracista, que atenda a verdadeira história deste país, desde o início”, defende a fundadora do Nana que tem por objetivo principal visibilizar e dar voz as demandas da maternidade negra.

Fonte: Mundo Negro

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