Jovem sofre racismo e agressões físicas em transporte público

racismo
Imagem: Reprodução/Twitter

Pisão dentro de coletivo provocou discussão, agressões e injúria racial em Campo Grande (SP)

“Hoje eu sofri a pior e uma das maiores humilhações que já passei na vida”, publicou nesta quarta-feira (25/7) a youtuber Alanne França no Twitter.

A mulher relata que enquanto estava em um ônibus em Campo Grande, distrito localizado a 18 Km da cidade de São Paulo, uma senhora entrou no coletivo e sentou ao lado dela. “Já me empurrando com a bolsa, para que eu não encostasse nela”, escreveu.

Durante a viagem, de acordo Alanne, uma adolescente pisou no pé da mulher e ela começou a gritar e a “mandar a menina se f… e tomar no…, enquanto ela pedia desculpas sem parar”, disse. Alanne, então, tentou intervir na situação. “Eu calma estava e calma continuei. Disse ‘senhora, não precisa xingar assim. Ela já pediu desculpas”, relatou.
Nesse momento, a youtuber afirma ter tocado na senhora para que ela se acalmasse. “Ela empurrou a minha mão e começou a gritar comigo”, conta. “Macaca, preta nojenta, desencosta de mim macaca dos infernos”, teriam sido palavras usadas pela senhora.
“Todos no ônibus começaram dizer que ela era racista, mas ela só respondia ‘olha pra ela, olha essa preta nojenta’”, conta a jovem. Alanna relata que também levou dois tapas e um arranhã no rosto dela, que “começou a sangrar e para afastar ela eu segurei pelos cabelos e sacudi a cabeça dela”, afirma a moça. “As pessoas tentaram afastar ela de mim, mas não dava jeito”, explicou.
Pessoas que estavam no ônibus conseguiram afastar as duas, mas a idosa ainda atirou um dos sapatos que calçava na youtuber e gritou para ela, “se você gosta tanto de defender, tinha que começar se defendendo nascendo branca”.
E completa, “Sentei e chorei enquanto alguém falava para mim que chamou a polícia”.
Parte da confusão foi gravada em vídeo.
“Ela tentou sair do ônibus, que parou durante a discussão, mas o motorista fechou as portas. Mesmo na frente do policial ela não parou em momento algum de dizer essas coisas”, desabafa Alanna. “Eu só sabia chorar, tremer e dizer que aquilo estava errado”, relembra.
“Isso tá errado, você é uma vagabunda racista”, repetia a youtuber, até que “mandaram parar para eu não ‘perder a razão’”, explica. A mulher afirma que um dos policiais que estava acompanhando a confusão alegou que a senhora “teria que ir algemada”. A idosa, então, respondeu “não vai dar em nada, tenta lá”. “Fui para o hospital de viatura e de lá para a delegacia na qual prestamos depoimentos”, relata.
A jovem disse que vai processar a idosa por injúria racial mas não acredita que ela vá às audiências. “Tenho vídeos, provas, testemunhas, confissão, mas a própria filha disse que ‘não pode provar agora, mas ela tem alzheimer’ e que se for provado, eu não vou ser nada além de estatística”, explica.
“É a segunda vez que sofro racismo seguido de agressão física”, relata Alanna. Na primeira ocorrência, ela conta que precisou ficar internada e diz que, hoje, “meu psicológico está destruído e eu, simplesmente, não tenho mais coragem de lutar contra algo que eu sei que cedo ou tarde vai me matar”, lamenta.
“Mais uma vez eu me vejo quase que obrigada a seguir em frente, mesmo que me arrastando”, desabafa Alanna. De acordo com ela, o “pouco de fé” que ainda tinha na humanidade “foi embora”. “Agora acredito que um raio cai, sim, duas vezes em um mesmo lugar”, conta. “Quem a ver (sic), que faça por mim o que não fiz: espanque até desmaiá-la”.
Durante o relato no Twitter, Alanna divulgou uma foto da senhora envolvida na confusão e pediu para que “quem a ver (sic), que faça por mim o que não fiz: espanque até desmaiá-la”.
Alguns seguidores da youtuber a apoiaram. “Morre gente todo dia no país. Essa morte não vai ser problema, mas sim solução”, escreveu uma seguidora. “Mesmo que não aconteça nada, você não vai ser só uma estatística. Nós somos símbolos de luta e temos que inspirar a mudança”, tuitou um internauta em apoio.
Mas muitos condenaram a postura dela. “Eu entendo sua raiva e seu ódio, porque só de ler eu já estou com raiva dessa velha, mas apaga isso, não vale a pena e se acontecer algo com ela vai dar problema pra você”, alertou um homem em resposta ao relato. “Aí já perdeu a razão fia, é assim que você quer resolver as coisas? Pagando o ódio com ódio?”, criticou outro.
A ocorrência foi registrada no 99º Distrito Policial, em Campo Grande (SP), que confirmou os fatos e informou que a idosa foi liberada após pagar fiança de R$ 1 mil. A senhora, que não teve o nome divulgado pela polícia, responderá ao inquérito em liberdade. Procurada, a reportagem não conseguiu contato com Alanna França até a publicação desta matéria.

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