Leigos sobre sacrifício animal em religiões de matrizes africanas criticam decisão do STF

A decisão do STF sobre sacrifício animal em religiões de matrizes africanas fez ver o quão desinformadas são as pessoas. É grande o número de críticas ao sacrifício e maior ainda o desconhecimento sobre isso.

Muitos afirmam que é errado permitir o sacrifício, pois não se deve matar por matar e deixar os bichos sofrendo. No entanto, o sacrifício animal em religiões de matrizes africanas é questão de segurança alimentar. O sacrifício é feito para alimentação daquela comunidade religiosa. Os animais são cuidados sob os aspectos culturais da religião de respeito à natureza, alimentados corretamente, sem uso de hormônios como a grande indústria pecuária. Além disso, o ato do sacrifício tem diversas normas religiosas. O abate deve ser conforme as técnicas ancestrais africanas de forma que o animal não sinta dor, em respeito a ele, pois ele é precioso já que irá alimentar a toda a comunidade. Após o abate, o animal é consagrado, o alimento preparado e, por fim, serve à mesa da comunidade religiosa.

É a mesma cultura judaico-cristã do natal. A diferença é que os animais das religiões de matrizes africanas são muito bem cuidados para a finalidade de alimentar a comunidade e não enclausurados sofrendo maus tratos como faz a grande indústria.

Não há matança indiscriminada só por matar, por maldade. A chamada imolação (o sacrifício do animal) é um rito religioso de consagração do animal às entidades para depois alimentar àquela comunidade religiosa.

O sacrifício de animais nos terreiros dá-se numa forma milenar de cultura que não separa o divino, o humano e o natural nem mesmo no sofrimento. No sacrifício há uma única pessoalidade em metamorfose e renascimento. Por estarem congregados numa unidade, o sacrifício é um momento especial de fusão de destinos e renascimentos em uma unidade simultaneamente animal, humana e divina. O sacrifício só ocorre na medida e quando não há a recusa das três partes que se entregam ao acontecimento cósmico.  (BASTIDE, Roger)

No STF, o ministro Alexandre de Moraes disse que a questão foi colocada de maneira “preconceituosa” pelo Ministério Público estadual, autor da ação, e pelos amigos da Corte, instituições que participaram das discussões no Supremo. “O ritual não pratica crueldade. Não pratica maus tratos. Várias fotos, argumentos citados por alguns amici curie (amigos da Corte), com fotos de animais mortos e jogados em estradas e viadutos, não têm nenhuma relação com o Candomblé e demais religiões de matriz africana. Houve uma confusão, comparando eventos que se denomina popularmente de magia negra com religiões tradicionais no Brasil de matriz africana”, afirmou o ministro.

É preciso conhecer para criticar. O sacrifício animal nas religiões de matrizes africanas não está associado aos maus trados dos animais, pelo contrário. Estes são os que mais cuidam deles, pois os animais são preciosos para a religião, visto que são fonte de alimento e nutrição à comunidade religiosa. Negar esse direito das religiões de matrizes africanas, além de preconceito, é hipocrisia. Se você compra carne no supermercado e come, não pode criticar o sacrifício animal das religiões de matrizes africanas, pois a finalidade é exatamente a mesma. Só que um é sacralizado e outro não.

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