Grupo que pesquisa religiões afro-brasileiras pede apoio para apresentar trabalhos em Harvard

Pesquisadores buscam auxílio por meio de vaquinha virtual

Entre os dias 11 e 13 de dezembro deste ano ocorrerá na Universidade de Harvard o Primeiro Encontro Continental de Estudos Afro-Latino-Americanos. O grupo Calundu, ligado à Universidade de Brasília (UnB), que reúne pesquisadores voluntários de diferentes áreas, teve proposta aprovada para o evento de um painel intitulado “Desafios contemporâneos para o exercício de fé do Povo de Santo no Brasil”.

Em sua programação, o painel conta com a apresentação de quatro importantes trabalhos científicos, que propõem diálogos sobre tradições, resistência negra e racismo contra os adeptos das religiões afro-brasileiras. Esta é uma temática de grande importância social e de grande peso no Brasil. Para além de fé, diz respeito a tradições populares, artísticas e culturais, reconhecidas de diferentes formas como patrimônio histórico nacional. Diz respeito também à vasta herança negra preservada no Brasil pelas comunidades dos terreiros de Candomblé, Umbanda, Tambor de Mina, Batuque, Terecô e outras várias religiões, mesmo com todo o estigma e violência que sofrem. Contudo, os trabalhos só serão apresentados caso os seus autores consigam financiar despesas como passagens, hospedagem, alimentação e translado nos Estados Unidos. Com o objetivo de resolver a problemática de financiamento, o Calundu abriu uma vaquinha virtual visando à arrecadação dos recursos necessários.

“Trata-se de um evento de peso, organizado por uma das universidades mais seletivas e de maior prestígio no mundo. Então, falar de temáticas que giram em torno das religiões afro-brasileiras em uma universidade como a de Harvard será muito valioso para difundir o trabalho do Calundu. Mais ainda, para apoiar a nossa constante luta contra o racismo religioso que seus adeptos sofrem”, conta Guilherme Nogueira, membro do grupo.

Saiba mais sobre o Calundu

O Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras (Grupo Calundu) é vinculado ao Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, em sua linha de estudos Feminismo, Relações de Gênero e de Raça. Trata-se de um grupo interdisciplinar, que reúne estudantes de graduação e pós-graduação da UnB, bem como profissionais sem vínculo com a comunidade acadêmica, interessados em leituras e debates sobre a área temática do grupo. O grupo realiza reuniões públicas, aberta a quaisquer interessados, desenvolve projetos de educação voltados a escolas de ensino médio, variadas pesquisas e coordena e edita a Revista Calundu, que publica trabalhos sobre a temática das religiões afro-brasileiras, produzidos tanto por acadêmicos quanto por praticantes.

O grupo, ademais, se posiciona contra todas as formas de racismo (intolerância religiosa, inclusive), misoginia, homofobia e todas as outras formas de violência e violações de Direitos Humanos, buscando combatê-las por meio de seu trabalho acadêmico. Seu trabalho pode ser mais bem conhecido no site http://calundu.org.

Conheça os pesquisadores aceitos no evento em Harvard e os seus temas de pesquisa

Andréa Guimarães Ominfasina – É Egbomi do Centro Cultural Ore, Ilé Egbe Ifá, de Uberlândia-MG, mestre em Direito, professora de Direitos Humanos e defensora dos direitos dos povos de terreiro. O seu trabalho no painel irá apresentar o histórico de violências e discriminações sofridas pelos povos de terreiro, em especial, o “Quebra de Xangô” movimento de perseguição religiosa ocorrido em 1912 na cidade de Maceió, e a continuidade dessas ações em recentes casos de racismo religioso sofridos pelas comunidades em todo o Brasil, que estão sendo impedidas de utilizar seus atabaques nos seus cultos pela alegação de perturbação do sossego ou “poluição sonora”.

Ariadne Oliveira – É pesquisadora da área de Ciência Política e mestre em Direitos Humanos. Seu painel trará um panorama histórico das violências e perseguições sofridas pelos cultos afro-brasileiros, mostrando, a partir dessas violências, como o racismo as estruturam. A ideia é fazer essa análise a partir de casos emblemáticos que expressam um panorama das variadas formas de discriminação e violações às religiões e cultos afro-brasileiros.

Guilherme Nogueira – Tata Mub’nzazi – É ogã e sociólogo, tendo feito seu doutorado na Universidade de Brasília. Seu trabalho no painel se intitula debaterá as diferentes maneiras como as religiões de matrizes africanas são entendidas no Brasil, a partir de uma compreensão de tradição – êmica e acadêmica – e defenderá a longevidade e profundidade do movimento de atualização de práticas afrorreligiosas neste país, auxiliado por indígenas e forçadamente sincretizado com o Catolicismo, bem como a resistência que sempre manteve contra as violências da colonização e colonialidade.

Nathália Fernandes – É pesquisadora em Ciências Sociais e cursa o doutorado em Estudos Latino-americanos. O seu trabalho no painelpretende trazer um breve panorama da criminalização histórica e prática discriminatória contra as religiões de matrizes africanas no Brasil, explicitando as categorias: intolerância religiosa, discriminação e racismo religioso.  Explicando, ainda, a relação entre o racismo presente na formação da América Latina e o fenômeno da discriminação contra as religiões afro-brasileiras no Brasil nos dias de hoje.

Serviço

O quê? Vaquinha para auxiliar pesquisadores sobre religiões afro-brasileiras a apresentarem trabalho em evento na Universidade de Harvard

Quando? O evento ocorrerá em dezembro de 2019

Acesse aqui o vídeo explicativo

Acesse aqui a vaquinha

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