Mulheres negras e discurso de ódio no ambiente virtual

Um estudo sobre discurso de ódio nas mídias sociais mostra que maior número das menções de ódio são de cunho racista contra pessoas negras. Segundo o artigo de Luiz Valério Trindade “Mídias Sociais e a naturalização de discursos racistas no Brasil”, o número de casos de racismo no Facebook cresceu de 2.038 em 2011 para 11.090 em 2014. Entre abril e junho de 2016 um mapeamento feito no Facebook e Twitter por comunicólogas e comunicólogos (Pereira et al (2016)) identificou 32.376 menções de cunho racistas, sendo 97,6% direcionadas a pessoas negras. Em 2017, foram 63.698 casos de discurso de ódio no ambiente virtual brasileiro, sendo a maior parte de cunho racistas.
Outro estudo de Trindade (2018) mostrou que destes discursos de ódio direcionados às pessoas negras, as mulheres negras socialmente ascendentes são as maiores vítimas, representando 81% dos casos de agressão virtual. Isso revela o ódio à mulher negra que cresce socialmente, pois o racismo brasileiro acredita que lugar de mulher negra é na miséria e sofrimento.
Tudo isso mostra que o espaço digital está reforçando, difundindo e naturalizando o racismo, tornando-o mais difícil de combater. Por isso, precisamos usar e abusar destes espaços para fazer o trabalho contrário, o ativismo negro contra a naturalização do racismo.

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