25 de julho é o dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha… pra que?

Em 2013, o  Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil feito pelo Instituto de Pesquisa  Econômica Aplicada (IPEA), mostrou que mulheres negras constituem o maior grupo que se encontra em situações de vulnerabilidade social. São elas que apresentam os menores índices de escolaridade; que recebem os menores salários, embora sejam as que tenham a jornada diária de trabalho mais extensa; se encontram majoritariamente em empregos informais, sem garantia de direitos trabalhistas; entre elas encontra-se o maior percentual de chefia de famílias monoparentais; etc.

Em 2015, foi publicado o Mapa da Violência 2015: homicídios de mulheres no Brasil, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a pedido da ONU Mulheres. Esse estudo revelou que entre 2003 e 2013 o número de mulheres negras mortas violentamente no país subiu 54,2%, enquanto que no mesmo decênio houve um recuo de 9,8% nos assassinatos de mulheres brancas. 

Esses são dados que decorrem de cerca de 400 anos de colonialismo e de economia escravocrata, que sequestrou e massacrou a população de diversos povos do continente africano e deu início à diáspora negra em direção ao Novo Mundo. Esse contexto histórico escravocrata junto da sociedade pautada no patriarcado resultou numa realidade socioeconômica comum às afrodescendentes da transnação latino-americana e caribenha: a vulnerabilidade e subserviência.

O reconhecimento desse contexto de criação das sociedades latino-americanas e caribenhas implicou na declaração do dia 25 de julho como o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, data estabelecida durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, realizado em 1992, em Santo Domingo (República Dominicana). Situadas no cruzamento de vários eixos de poder e desigualdade (gênero, raça, classe e origem) as mulheres negras precisaram se organizar a parte e provocar reflexões críticas tanto no movimento negro quanto no movimento feminista, pois nem um dos dois contemplava suas demandas específicas, já que até meados da década de 1970 se enxergavam como movimentos constituídos por identidades homogêneas.

Nessa data, discutem-se a situação das mulheres negras na intenção de criar ações e políticas afirmativas que resolvam o problema da vulnerabilidade social implicado à mulher negra pelo fato de serem mulheres e negras desenvolvidas num contexto que reduzem sua existência na sociedade. Foi a construção do feminista negro em nações irmãs. A data, também tem a intenção de empoderar mulheres negras e mostrar mulheres líderes que foram importante à sociedade, mas invisibilizadas.

Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra

No Brasil, o dia 25 de julho, além de celebrar o dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha, é comemorado também o dia Nacional de Tereza de Benguela. A ideia é justamente empoderar mulheres negras líderes importantes para o contexto social que foram invisibilizadas.

A data foi criada em 2014 pela presidente Dilma Rousseff, por meio da Lei nº 12.987. 

Quem foi Tereza de Benguela?

Tereza Benguela liderou entre 1750 e 1770, após a morte de seu companheiro, José Piolho, o Quilombo do Quariterê, situado entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso. O lugar abrigava mais de 100 pessoas.

Durante seu comando, a Rainha Tereza criou uma espécie de parlamento e reforçou a defesa do Quilombo do Quariterê com armas adquiridas a partir de trocas ou levadas como espólio após conflitos. Nas suas terras eram cultivados milho, feijão, mandioca, banana e algodão, utilizado na fabricação de tecidos.

Tereza de Benguela é, assim como outras heroínas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos últimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e à pesquisa ou ao resgate de documentos até então não devidamente estudados, na busca de recontar a história nacional e multiplicar as narrativas que revelam a formação sociopolítica brasileira.

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