Em tempos de pandemia, matrizes africanas lutam por sobrevivência

Luta. Essa é a vida do povo de terreiro. Manter-se sempre em luta, nunca fraquejar, manter-se sempre forte e mesmo nas adversidades e lutas constantes, sempre ajudar a quem precisa. Isso descreve como é a vida das pessoas de religiões de matriz africana e afrobrasileira.

Não bastasse a resistência cultural em manter viva a fé de matriz africana, a pandemia trouxe ainda mais dificuldade para fazer o povo de terreiro resistir. É o que conta a Yalorixá Solange de Oxumarê, dirigente do Ilê Axé Oyá do Bó, terreiro de candomblé ketu situado em Santo Antônio do Descoberto (GO). “Temos uma casa humilde feita de madeirite que está velha, precisando de reforma, mas com a pandemia e as atividades suspensas, algumas ações ficaram inviáveis e não conseguimos arrecadar dinheiro para a reforma do Ilê”.

Yá Solange comanda um terreiro humilde que vive de doações. A estrutura que abriga sua manifestação de fé é de madeirite que já tem 13 anos. A estrutura está comprometida, precisando ser reformada. Com a pandemia, os eventos abertos que recebem pessoas que geralmente fazem algum tipo de doação não estão acontecendo e, com isso, as doações não são feitas. O Ilê paga suas contas com essas doações, eventos, bazares, além de exercer suas ações sociais também por meio de doações. Não há ajuda governamental, nem isenção de impostos. As contas de água, luz chegam, mas o dinheiro não está entrando. Os filhos da casa fazem de tudo para ajudar, mas nem todos têm condições. Para ajudar nas despesas da casa e na reforma do Ilê foi criada uma vaquinha virtual para que todos aqueles que acreditam na livre manifestação religiosa e no trabalho de caridade das matrizes africanas possam colaborar nesse período difícil.

Para ajudar doe pelo link: http://vaka.me/1329780

A trajetória do Ilê Axé Oyá do Bó

Fundado em 1976 por Antônia Siqueira (in memoriam), popularmente conhecida como Dofona do Bó ou Antônia de Oyá, no setor de chácaras do Guará, próximo à conhecida churrascaria do Júlio, na época, teve sua primeira mudança em meados de 1983 para Luziânia, na tentativa de, mais uma vez, consagrar um espaço seguro para que seus integrantes pudessem louvar o sagrado. Lá permaneceu por 4 anos. Entre idas e vindas, somente em meados de 2007 conseguiu endereço fixo, sendo sua  reinauguração em Santo Antônio do Descoberto-GO.

A nova morada de manifestação de fé com Orixá foi feita de madeira e madeirite, espaço esse que acolheu não somente as festas religiosas como também as ações solidárias feitas em prol da comunidade que existe em torno do terreiro. 

Os espaços sagrados foram construídos em torno dessa principal estrutura de madeira que permanece até hoje como o principal espaço de suporte para o axé abrigando a cozinha e os banheiros.

O Ilê se localiza numa comunidade carente, onde todos precisam de muita ajuda e o axé é o local de refúgio e auxílio para essas pessoas. O terreiro promove diversas ações sociais junto à comunidade como Páscoa, dias das crianças, Natal Solidário e tudo feito com doações.

Candomblé Ketu

Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular “nação” do Candomblé. Foi a primeira forma de organização do culto religioso de Matriz Africana no Brasil. Esta ocorreu no ano de 1830, na cidade de Salvador-BA. Assim, foi constituído a Casa Branca do Engenho Velho, também conhecido como Candomblé da Barroquinha.  Tal crença foi adotada sem resistência, por boa parte dos diversos povos africanos que vieram para o Brasil, por estar mais próxima da realidade africana do que o culto religioso do europeu que, à época, se expressava hegemonicamente com o Catolicismo.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador, depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Yalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Terreiro do Gantois.

A língua sagrada utilizada em rituais do Ketu é o (Iorubá ou Nagô) é derivado da língua Yoruba. O povo de Ketu procura manter-se fiel aos ensinamentos das africanas que fundaram as primeiras casas, reproduzem os rituais, rezas, lendas, cantigas, comidas, festas, esses ensinamentos são passados oralmente até hoje.

Referencial teórico

Silveira, Renato da. Candomblé da Barroquinha. Editora Maianga, 2007. ISBN 8588543419

Silva, Mary Anne e Morato, Herta Camila. A Constituição do Candomblé de Ketu no Brasil. Revista Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan/2011. ISSN 1983-2859.

Ajude o Ilê Axé Oyá do Bó em sua reforma: http://vaka.me/1329780

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