Nzinga líder Angolana lutou contra a escravização

A história da Angola faz parte da construção da sociedade Brasileira. Isso porque maior parte dos escravos trazidos para o Brasil foram da Angola e Nigéria e estas pessoas contribuíram para nossa formação cultural, linguística e costumes.

Então vamos conhecer sobre Nzinga, essa personalidade que lutou contra o tráfico negreiro?

Nzinga Mbandi Ngola Kiluanji, nasceu em 1582, no Ndongo (atual Angola). Ainda criança, começou a ser treinada para o combate e o uso de armas. Com oito anos de idade, acompanhou a comitiva do pai, em uma batalha, como parte dos exercícios de guerra. Com a morte do pai, em 1617, seu irmão Mbandi tornou-se ngola ascendendo ao trono de Ndongo.

Por essa época, os portugueses já estavam estabelecidos na ilha de Luanda onde fundaram a vila de São Paulo de Luanda, construíram igreja, casas e fortificações.

O comércio de escravos

Sabe a história que os próprios negros capturavam pessoas para vender aos europeus? Não é mentira. Na Angola, quem controlava a captura de escravos era Ngola Mbandi, o rei ambundo, irmão de Nzinga. Ele cobrava dos portugueses tributos e taxas e proibia-lhes o acesso ao interior do reino e a compra direta de escravos.

As vendas de escravos eram fiscalizadas pela coroa angolana, Ngola Mbandi. O Ngola mandava incluir, no lote de escravos, negros idosos, doentes ou com defeitos físicos de difícil colocação no mercado escravo de Luanda.

As restrições ao livre trânsito dos mercadores e as sanções aplicadas pelo Ngola aos infratores causaram indignação entre os portugueses de Luanda. Afinal, para eles, aquelas terras eram de Portugal. As tensões levaram a uma guerra contra o Ngola Mbandi que, como ocorrera outras vezes, ficou inconclusa.

A princesa Nzinga

Em 1621, chegou a Luanda o novo governador português que se apressou a buscar a paz com o Ngola Mbandi. Para negociá-la, o rei ambundo enviou a Luanda uma embaixadora – sua irmã Nzinga, então com 39 anos de idade.

Nzinga exigiu que os portugueses abandonassem suas instalações no continente, que entregassem os chefes africanos prisioneiros e ainda um lote de armas de fogo. Em sinal de sua intenção de celebrar o acordo de paz, Nzinga aceitou o batismo católico sob o nome português Ana de Souza. A conversão foi um jogo político do qual ela vai se valer em outros momentos para ganhar confiança e confundir os portugueses.

Nzinga, a rainha

Vários meses se passaram desde o encontro em Luanda sem que os portugueses cumprissem sua parte no acordo. Não estavam dispostos a ceder em nada. Nzinga vai cobrar, pelas armas, o que fora prometido mas, dessa vez, como Ngola, rainha de Ndongo. Como soberana, rompeu os compromissos com Portugal, abandonando a religião católica e praticando uma série de violências não só contra os portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal na região.

Após ser derrotada, a rainha manteve-se em paz por quase duas décadas até que, diante do plano de conquista de Angola por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, percebeu uma nova oportunidade de resistir.

Em Janeiro de 1647, Gaspar Borges de Madureira derrotou as forças de Nzinga, aprisionando sua irmã, dona Bárbara. Com a reconquista definitiva de Angola pelas forças portuguesas de Salvador Correia de Sá e Benevides, retirou-se para Matamba, onde continuou a resistir.

Em 1657, um grupo de missionários capuchinhos italianos convenceram-na a retornar à fé católica e, então, o governador de Angola, Luís Martins de Sousa Chichorro, restituiu-lhe a irmã, que ainda era mantida cativa.

Em 1659, Nzinga assinou um novo tratado de paz com Portugal. Ajudou a reinserir antigos escravos e formou uma economia que, ao contrário de outras no continente, não dependia do tráfico de escravos.

Nzinga  faleceu de forma pacífica aos oitenta anos de idade, como uma figura admirada e respeitada por Portugal. No entanto, após a sua morte, 7 000 soldados da rainha foram levados para o Brasil e vendidos como escravos.

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