João Cândido, o almirante negro

Ícone da luta pelos direitos dos negros na Marinha, mesmo sendo considerado inocente, a Marinha nunca reconheceu seu erro contra João Cândido e seu racismo contra os marinheiros negros

João Cândido nasceu em 24 de junho de 1880 e foi um líder fundamental para uma das lutas pelos direitos dos negros. Foi o líder da Revolta da Chibata.

Na época em que ocorreu a revolta da Chibata, os marinheiros da Marinha do Brasil eram negros escravizados recém-libertos. Para viver nesse período pós abolição, submetiam-se ao trabalho mal remunerado, rotina pesada de trabalho e maus tratos.

Qualquer demonstração de insatisfação dos marinheiros, havia punição com castigos físicos. Estes eram proibidos, mas exercidos mesmo assim no Brasil.

Após um aumento de salário recebido pelos oficiais da Marinha (brancos), os marinheiros revoltaram-se. Pois permaneciam com salários de miséria por serem negros e submetidos a trabalho excessivo e castigos físicos. Algo que hoje é considerado trabalho análogo à escravidão. Isso mesmo sendo negros libertos.

O motim

Na madrugada do dia 22 de novembro de 1910 ocorreu a rebelião dos marinheiros do encouraçado “Minas Gerais”. A revolta ocorreu após os marinheiros presenciarem o castigo do marujo Marcelino Rodriques Menezes. Ele foi açoitado até desmaiar levando 250 chibatadas por ter agredido um oficial. Vejam que o castigo era similar aos castigos ainda da escravidão.

Nessa revolta, os marinheiros se apoderaram da embarcação comandados por João Cândido Felisberto.

Nessa mesma noite, a embarcação “São Paulo” se juntou a Revolta da Chibata. Em outros dias, novas embarcações aderiram ao protesto.

Para mostrar que a revolta era séria, os rebeldes bombardearam a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

O presidente Hermes da Fonseca concordou com as reivindicações dos marinheiros. A primeira revolta então foi encerrada. No entanto, Hermes da Fonseca não cumpriu com as promessas, decretou estado de sítio e prendeu e matou marinheiros que participaram da Revolta.

João Cândido sobreviveu, mas foi levado a um hospital psiquiátrico. No seu julgamento foi considerado inocente, mas não foi anistiado e não recebeu pensão ou indenização da Marinha. João Cândido morreu pobre e esquecido no Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro em 1969.

A Contemporaneidade ainda massacra

Em 2008 o presidente Lula sancionou uma lei dando anistia a João Cândido. No entanto, a Marinha vetou a sua reincorporação. Sendo assim, a família de João Cândido nunca recebeu indenização. A patente simbólica de almirante também não foi dada ao almirante negro. A Marinha nunca reconheceu seu racismo contra o almirante mesmo a história e os fatos mostrando o que ocorreu.

Referência bibliográfica

OLIVEIRA, Dilceia Noberto de. O Herói negro.
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